Hugo Galvão de França Filho viu de perto o que acontece quando uma empresa decide “entrar nos marketplaces” sem entender o que isso realmente significa na prática. O fundador e diretor da Enjoy Pets acompanhou, ao longo da sua trajetória no e-commerce pet, uma confusão muito comum entre presença digital e estratégia digital. Ter um cadastro ativo no Mercado Livre, na Shopee ou na Amazon não é, por si só, uma estratégia. É apenas o ponto de partida.
- Cadastrar produtos não é o mesmo que construir visibilidade
- Por que a precificação precisa ser uma decisão estratégica, não uma reação?
- Qual o papel das avaliações na construção de autoridade dentro das plataformas?
- Quando faz sentido investir em anúncios dentro dos marketplaces?
- Crescer nos marketplaces é resultado de método, não de sorte
Essa distinção pode parecer sutil, mas ela explica por que tantos vendedores chegam aos marketplaces com expectativas altas e saem frustrados meses depois, sem entender onde erraram.
Cadastrar produtos não é o mesmo que construir visibilidade
A lógica dos marketplaces funciona de forma parecida com a dos mecanismos de busca. Há um algoritmo por trás de cada plataforma que decide quais produtos aparecem primeiro quando um consumidor digita uma palavra-chave. Esse algoritmo leva em conta fatores como qualidade do título, relevância das imagens, volume de avaliações, histórico de vendas, taxa de conversão e competitividade de preço.
Um vendedor que cadastra cem produtos sem pensar em nenhum desses critérios está, na prática, invisível. Os produtos existem dentro da plataforma, mas nunca chegam até o consumidor que está procurando exatamente aquilo que ele vende. Hugo Galvão entende essa dinâmica como parte fundamental da operação. Na Enjoy Pets, a construção de cada página de produto é tratada como um trabalho de posicionamento, não como uma tarefa administrativa.
Por que a precificação precisa ser uma decisão estratégica, não uma reação?
Um dos comportamentos mais prejudiciais para quem vende em marketplaces é a guerra de preços por impulso. Quando um concorrente baixa o valor de um produto, a reação imediata de muitos vendedores é baixar também, sem calcular o impacto disso na margem. O problema é que essa espiral raramente termina em um lugar sustentável. Há sempre alguém disposto a vender mais barato, especialmente em categorias com muitos fornecedores. Competir exclusivamente por preço, sem diferenciais claros de serviço, entrega ou reputação, é uma estratégia de curto prazo que corrói a operação por dentro.
O empresário Hugo Galvão de França Filho construiu sua visão de precificação em torno de um equilíbrio entre competitividade e sustentabilidade. No mercado pet, onde há produtos de altíssima recorrência de compra, como rações, petiscos e produtos de higiene, a margem por transação precisa ser pensada em conjunto com o valor do cliente ao longo do tempo.
Qual o papel das avaliações na construção de autoridade dentro das plataformas?
Avaliações positivas não são apenas um elemento de prova social para o consumidor. Elas são, dentro dos marketplaces, um ativo que se acumula e que trabalha continuamente a favor do vendedor. Uma página de produto com centenas de avaliações positivas converte melhor, ranqueia melhor e resiste mais a variações temporárias de preço do que uma página sem histórico de feedbacks.
Isso significa que a gestão ativa das avaliações, incluindo incentivar clientes satisfeitos a compartilhar suas experiências e responder com cuidado às críticas negativas, é parte integrante de uma estratégia de marketplace bem construída.
No segmento pet, esse ponto tem uma dimensão emocional adicional, informa Hugo Galvão de França Filho. O tutor que descreve em uma avaliação como o produto ajudou no tratamento do seu animal, ou como a entrega chegou a tempo para uma situação urgente, está gerando um conteúdo que conecta outros tutores de forma muito mais eficaz do que qualquer descrição técnica do produto.
Quando faz sentido investir em anúncios dentro dos marketplaces?
As principais plataformas oferecem ferramentas de publicidade paga que permitem dar mais visibilidade a produtos específicos. Mercado Livre Ads, Shopee Ads e Amazon Sponsored Products funcionam de formas distintas, mas compartilham uma lógica comum: amplificam resultados para quem já tem uma base orgânica sólida e tendem a desperdiçar verba para quem ainda não resolveu problemas fundamentais de conversão.
Investir em anúncio antes de ter uma página de produto bem construída, uma reputação de vendedor consistente e um processo logístico confiável é colocar o carro na frente dos bois. O tráfego pago traz visitantes, mas quem converte esse visitante em comprador é a qualidade da oferta, não o anúncio em si.
Nesse quesito, Hugo Galvão expressa que a sequência correta é construir a base orgânica primeiro e usar o tráfego pago como acelerador, não como substituto de uma estratégia que ainda não existe. Quem inverte essa ordem costuma gastar muito, vender pouco e concluir equivocadamente que os anúncios não funcionam, quando o problema real estava um passo antes.
Crescer nos marketplaces é resultado de método, não de sorte
O empreendedor Hugo Galvão representa uma abordagem que separa quem constrói presença digital consistente de quem depende de momentos favoráveis de mercado para aparecer. A Enjoy Pets, acessível em www.enjoypets.com.br, é um exemplo de operação que foi desenhada para crescer de forma estruturada dentro dos principais canais do e-commerce brasileiro.
No mercado pet, que combina alta recorrência de compra com consumidores cada vez mais exigentes e bem informados, essa combinação de método, análise e execução é o que separa as marcas que constroem autoridade duradoura das que desaparecem na primeira mudança de algoritmo.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

