Com o aumento da expectativa de vida, projetar espaços acessíveis a diferentes idades deixou de ser exigência só de prédios públicos. Diante desse cenário, Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, acompanha um número crescente de clientes que buscam soluções acessíveis também em residências particulares, muito antes de qualquer necessidade específica surgir na família. O desenho universal, formulado ainda na década de 1980 pelo arquiteto norte-americano Ronald Mace, propõe justamente essa antecipação, orientando projetos que atendam crianças, idosos, gestantes e pessoas com deficiência sem depender de adaptações feitas às pressas depois da obra concluída.
Neste artigo, você vai entender os princípios da arquitetura acessível e como aplicá-los em projetos residenciais sem comprometer estética ou funcionalidade.
O que é o desenho universal na arquitetura?
O desenho universal parte de uma premissa simples: em vez de criar um espaço padrão e depois adaptá-lo para grupos específicos, o projeto já nasce pensado para atender à maior diversidade possível de usuários. No Brasil, a norma NBR 9050 regulamenta boa parte desses parâmetros, estabelecendo medidas técnicas para rampas, áreas de manobra, sinalização e mobiliário acessível em edificações públicas e privadas.
Como pondera Daugliesi Giacomasi Souza, aplicar esses princípios em residências não significa transformar a casa em um ambiente clínico ou institucional, e sim incorporar soluções discretas que funcionem para toda a família ao longo de diferentes fases da vida. Portas mais largas, pisos regulares e interruptores em altura acessível, por exemplo, atendem tanto a uma pessoa cadeirante quanto a um morador carregando compras ou empurrando um carrinho de bebê.
Elementos que tornam um projeto acessível desde a planta
Ambientes acessíveis costumam eliminar desníveis desnecessários entre cômodos, substituindo degraus isolados por rampas suaves ou pisos nivelados, o que reduz o risco de quedas para crianças pequenas e para pessoas mais velhas. Banheiros com barras de apoio bem posicionadas, boxes sem soleira e bancadas em alturas reguláveis também fazem parte desse tipo de projeto, sem que o resultado final pareça hospitalar ou pouco convidativo.

Na compreensão de Daugliesi Giacomasi Souza, a iluminação e a sinalização visual merecem atenção equivalente à dos aspectos estruturais do projeto, já que ambientes bem iluminados e com contraste adequado entre paredes, pisos e mobiliário facilitam a locomoção de pessoas com baixa visão. Armários com altura de alcance pensada desde o início, prateleiras ajustáveis e camas em altura intermediária completam esse conjunto de soluções aplicáveis a qualquer residência.
Da adaptação pontual ao projeto pensado desde o início
Durante muito tempo, a acessibilidade em residências surgia apenas depois de um diagnóstico médico, uma cirurgia ou o avanço da idade de algum morador, geralmente por meio de reformas emergenciais e pouco planejadas. Esse modelo reativo costuma gerar soluções improvisadas, com rampas de inclinação inadequada ou barras de apoio instaladas sem considerar o uso real do espaço.
Conforme evidencia Daugliesi Giacomasi Souza, projetos que incorporam desenho universal desde a planta original evitam esse tipo de retrabalho e tendem a envelhecer melhor junto com a própria família, sem exigir obras estruturais mais adiante. Assim, antecipar essas escolhas durante a fase de projeto custa, em geral, muito menos do que adaptar um espaço já pronto, além de resultar em soluções mais integradas à estética da casa.
Por que a acessibilidade beneficia todas as idades?
Embora o termo acessibilidade remeta imediatamente a pessoas com deficiência, os benefícios desse tipo de projeto alcançam praticamente todos os moradores em algum momento da vida. Uma pessoa que se recupera de uma cirurgia temporária, uma gestante no último trimestre ou um idoso com equilíbrio reduzido se beneficiam exatamente das mesmas soluções pensadas originalmente para cadeirantes ou pessoas com mobilidade reduzida permanente.
Sob o olhar de Daugliesi Giacomasi Souza, essa característica torna o desenho universal um investimento de longo prazo, capaz de acompanhar diferentes fases da mesma família sem exigir novas reformas a cada mudança de contexto. Uma casa pensada dessa forma permanece funcional para os moradores atuais e também para visitas, cuidadores e futuras gerações que venham a ocupar o espaço.
No fim, projetar com acessibilidade desde o início deixa de ser um gesto pontual de inclusão e passa a representar uma forma mais inteligente e duradoura de construir espaços para viver.

