A inteligência artificial está transformando a rotina dos profissionais do Direito, como Valdemir Ferreira Santos, oferecendo recursos para analisar documentos, organizar informações processuais e identificar argumentos jurídicos. Entretanto, uma situação chama atenção: duas ferramentas tecnológicas podem examinar o mesmo processo e apresentar interpretações completamente diferentes. Essa divergência levanta questionamentos sobre a confiabilidade das análises automatizadas, os critérios utilizados pelos sistemas e os riscos de aceitar conclusões sem verificar seus fundamentos.
Saiba mais a seguir!
Por que duas inteligências artificiais podem discordar?
Os sistemas de inteligência artificial generativa funcionam a partir de modelos matemáticos treinados para identificar padrões e produzir respostas. Mesmo quando recebem documentos semelhantes, podem apresentar interpretações diferentes porque utilizam arquiteturas, dados de treinamento e mecanismos de processamento distintos. Além disso, pequenas alterações nas instruções fornecidas podem modificar os aspectos considerados mais relevantes durante a análise.
No contexto jurídico, essas diferenças podem aparecer na identificação de argumentos, na interpretação de dispositivos legais ou na seleção de precedentes. Uma ferramenta pode destacar determinada circunstância processual, enquanto outra atribui maior importância a um documento diferente. Isso não significa necessariamente que uma esteja correta e a outra equivocada, pois ambas podem estar examinando aspectos distintos da mesma controvérsia.
Entretanto, também existe a possibilidade de erros objetivos. Um sistema pode interpretar incorretamente uma informação, desconsiderar documentos relevantes ou apresentar referências jurídicas inexistentes. Para o Doutor Valdemir Ferreira Santos, a discussão permite compreender a importância de distinguir divergências interpretativas de falhas na recuperação e no processamento das informações utilizadas.
Como identificar qual interpretação está correta?
A comparação entre respostas automatizadas exige verificar os fundamentos apresentados por cada ferramenta. Não basta observar qual conclusão parece mais convincente ou apresenta linguagem mais elaborada. É necessário identificar quais documentos foram considerados, quais normas jurídicas sustentam os argumentos e se as referências mencionadas correspondem efetivamente ao conteúdo do processo. Essa verificação também permite reconhecer diferenças entre interpretações juridicamente possíveis e respostas que apresentam falhas na compreensão dos fatos ou na aplicação das normas.

Um procedimento possível consiste em solicitar que os sistemas indiquem os trechos documentais utilizados para sustentar suas respostas. Segundo o Doutor Valdemir Ferreira Santos, essa prática facilita a conferência das informações e permite identificar omissões ou interpretações incompatíveis com os registros disponíveis. Contudo, as referências produzidas automaticamente também precisam ser verificadas, pois a indicação de uma fonte não garante que ela tenha sido corretamente interpretada. A conferência direta dos documentos ajuda a evitar que informações retiradas de contexto sejam utilizadas como fundamento para conclusões aparentemente consistentes.
Outro cuidado envolve a formulação das perguntas. Instruções excessivamente amplas podem gerar respostas genéricas, enquanto solicitações específicas permitem examinar questões delimitadas. Dessa maneira, a qualidade da análise depende não apenas da capacidade tecnológica, mas também da organização das informações e dos critérios utilizados para avaliar os resultados apresentados. Quanto maior a precisão das orientações fornecidas, melhores são as condições para identificar divergências relevantes e compreender os caminhos utilizados por cada sistema na elaboração de suas respostas.
A divergência entre sistemas pode prejudicar uma decisão?
Pode, especialmente quando as respostas automatizadas são utilizadas sem conferência adequada. Imagine uma situação em que uma ferramenta identifica determinado argumento como decisivo, enquanto outra considera esse mesmo elemento secundário. Se o profissional responsável aceitar uma das conclusões automaticamente, poderá deixar de examinar circunstâncias relevantes para a solução jurídica da controvérsia.
A atuação do Doutor Valdemir Ferreira Santos na magistratura permite relacionar esse desafio à necessidade de fundamentação das decisões judiciais. A conclusão de um sistema tecnológico não substitui a análise dos fatos, das provas e das normas aplicáveis. Mesmo quando diferentes ferramentas apresentam respostas semelhantes, essa concordância não comprova que a interpretação esteja juridicamente correta.

