Elmar Juan Passos Varjão Bomfim constata que existe uma ideia equivocada de que produzir mais significa trabalhar mais rápido ou contratar mais gente. Na prática, boa parte da ineficiência de uma operação está escondida em etapas que ninguém questiona: a espera entre um processo e outro, o estoque parado, o retrabalho que se repete por falta de padrão. A engenharia industrial nasceu justamente para enxergar esse desperdício invisível e tratá-lo como problema de projeto, e não de esforço.
O tema ganhou urgência. A produtividade brasileira patina há anos, e a pressão por margens menores, cadeias mais complexas e prazos mais curtos expôs o custo de operar no improviso. Programas como a Nova Indústria Brasil colocaram a modernização do parque produtivo no centro da agenda, com a meta ambiciosa de digitalizar a maior parte das fábricas do país ao longo da próxima década.
Diante disso, a engenharia industrial deixa de ser uma área de apoio e passa a ocupar o centro da estratégia. Siga a leitura e veja que ela funciona como a ponte entre a tecnologia disponível e o resultado que aparece no fim do mês: a disciplina que decide onde automatizar, o que medir e qual gargalo atacar primeiro, antes de gastar o primeiro real em equipamento novo.
O que muda quando o processo passa a falar por meio de dados?
Elmar Juan Passos Varjão Bomfim considera que a chegada das fábricas conectadas mudou a escala do que é possível enxergar. Sensores distribuídos pela linha transformam cada máquina em fonte contínua de informação, e o que antes era inspeção pontual virou monitoramento permanente. A manutenção, por exemplo, deixou de ser apenas reativa ou preventiva e passou a ser preditiva: o sistema avisa que um componente vai falhar antes que ele pare a produção.
A inteligência artificial acelerou esse movimento ao sair da fase de experimento e assumir papel operacional. Hoje, algoritmos ajustam parâmetros de processo, antecipam picos de demanda e simulam mudanças de layout em ambiente virtual antes de qualquer alteração física. Os gêmeos digitais permitem testar dezenas de cenários sem parar a linha, reduzindo o risco de cada decisão. O ganho não está apenas na tecnologia em si, mas no fato de a engenharia industrial passar a decidir com base em evidência, e não em palpite.
Por que reduzir desperdício virou também uma agenda de sustentabilidade?
Elmar Juan Passos Varjão Bomfim observa que a eficiência e sustentabilidade, antes tratadas em departamentos separados, hoje caminham juntas. Cada quilowatt economizado, cada material reaproveitado e cada deslocamento evitado representa, ao mesmo tempo, redução de custo e de impacto ambiental. A pressão por descarbonização transformou a eficiência de recursos em vantagem competitiva, e não mais em mera obrigação regulatória a ser cumprida no papel.

A engenharia industrial está entre as disciplinas mais bem posicionadas para conduzir essa agenda, porque já pensa em termos de fluxo, perda e otimização. Reduzir o consumo energético de uma planta, recuperar calor de processo ou redesenhar o transporte interno para gastar menos combustível são problemas de engenharia industrial antes de serem metas ambientais. Fazer mais com menos deixou de ser apenas economia: tornou-se condição para operar em um mercado que cobra responsabilidade de forma cada vez mais explícita.
A engenharia não funciona sem gente
Há, porém, um limite que a tecnologia não ultrapassa sozinha. Levantamentos do setor mostram que as maiores barreiras à transformação dos processos não são técnicas, mas culturais e organizacionais.
De pouco adianta instalar sensores se ninguém interpreta os dados, ou automatizar uma etapa enquanto o restante da empresa continua raciocinando como há vinte anos. Elmar Juan Passos Varjão Bomfim ressalta que o profissional que essa nova fase exige é híbrido: une o conhecimento de chão de fábrica à fluência em dados e à capacidade de transitar entre engenharia, tecnologia e gestão.
A próxima fronteira da produtividade brasileira
Elmar Juan Passos Varjão Bomfim conclui que a eficiência dos processos produtivos deixou de ser uma busca por pequenos ajustes e passou a ser questão de sobrevivência competitiva. O país que quiser reindustrializar e crescer de forma consistente terá de tratar produtividade como projeto de longo prazo, combinando método, tecnologia e pessoas no mesmo ritmo.
As ferramentas estão mais acessíveis do que nunca; o desafio é aplicá-las com critério, e não acumulá-las sem propósito. É nesse ponto que a engenharia industrial revela seu valor mais duradouro não como uma moda passageira de automação, mas como a forma de pensar que organiza todo o resto.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

