A gestão de passivos trabalhistas em processos de recuperação judicial exige atenção técnica e planejamento estratégico. Até porque, segundo Rodrigo Pimentel advogado, sócio do escritório Pimentel & Mochi Advogados Associados, compreender como essas dívidas são tratadas é determinante para garantir o equilíbrio financeiro e jurídico da empresa em crise.
Afinal, além das obrigações com fornecedores e instituições financeiras, os débitos com funcionários possuem natureza sensível e prioridade legal no processo de reestruturação. Pensando nisso, continue a leitura e entenda como os passivos trabalhistas são administrados na recuperação judicial e de que forma é possível tratá-los de forma eficiente e transparente.
O que são passivos trabalhistas e por que eles exigem tratamento especial?
Como informa o núcleo de recuperação judicial do escritório Pimentel & Mochi, os passivos trabalhistas são todas as obrigações da empresa relacionadas a vínculos de trabalho, como salários atrasados, indenizações, férias, FGTS e outros direitos reconhecidos judicial ou administrativamente. Durante a recuperação judicial, essas dívidas recebem tratamento diferenciado em razão de sua função social, pois envolvem o sustento direto de empregados e famílias.

De acordo com Rodrigo Pimentel advogado, a lei estabelece que os créditos trabalhistas devem ser pagos com prioridade, até o limite previsto no artigo 83 da Lei nº 11.101/2005. Essa proteção busca equilibrar o direito dos credores e a necessidade de preservar empregos, evitando demissões em massa e impactos econômicos negativos.
Como os passivos trabalhistas são negociados na recuperação judicial?
A negociação dos passivos trabalhistas é uma das etapas mais delicadas da recuperação judicial. Conforme frisa o Dr. Lucas Gomes Mochi, também sócio do escritório, o diálogo com os trabalhadores e seus representantes deve ser pautado pela boa-fé e pela transparência. Isso porque, embora haja espaço para parcelamentos ou descontos, a proposta precisa demonstrar viabilidade e comprometimento com o cumprimento das obrigações.
Assim sendo, o plano de recuperação deve prever prazos realistas para quitação dos débitos e estratégias que evitem novos passivos, como ajustes na folha de pagamento, reorganização interna e melhoria dos controles financeiros. Inclusive, segundo o Dr. Lucas Gomes Mochi, a credibilidade do processo depende diretamente dessa coerência.
Além disso, é comum que o administrador judicial acompanhe de perto as negociações e monitore o cumprimento das obrigações trabalhistas após a homologação do plano, assegurando que os trabalhadores recebam o que lhes é devido dentro das condições aprovadas em assembleia.
Quais medidas práticas ajudam a lidar com os passivos trabalhistas?
Por fim, lidar com passivos trabalhistas durante a recuperação judicial exige mais do que conhecimento técnico: requer organização e visão de longo prazo. Isto posto, algumas medidas ajudam a tornar esse processo mais eficiente e menos oneroso para o negócio:
- Mapeamento completo das ações em andamento: reunir informações sobre todos os processos trabalhistas, valores envolvidos e fases processuais é essencial para evitar surpresas e garantir previsibilidade financeira.
- Negociação preventiva com sindicatos e ex-funcionários: acordos extrajudiciais, quando possíveis, reduzem custos e aceleram a resolução de litígios, evitando a judicialização excessiva.
- Planejamento financeiro e fluxo de caixa ajustado: prever no orçamento os pagamentos decorrentes da recuperação judicial evita novos atrasos e mantém a empresa em conformidade com o plano.
- Acompanhamento jurídico especializado: contar com uma equipe experiente em direito empresarial e trabalhista, proporciona segurança e reduz riscos de descumprimento.
Essas ações, quando bem executadas, aumentam as chances de êxito na recuperação judicial e demonstram responsabilidade perante credores e empregados.
Um passo essencial para a retomada saudável dos negócios
Em conclusão, enfrentar passivos trabalhistas dentro da recuperação judicial não é apenas uma obrigação legal, mas um movimento estratégico para a reconstrução empresarial. Pois, lidar com essas dívidas com transparência e responsabilidade é essencial para restaurar a confiança de empregados, credores e investidores, como pontua o Dr. Rodrigo Gonçalves Pimentel. Ou seja, a gestão correta dos passivos trabalhistas representa um dos pilares para que a empresa supere a crise e construa um futuro mais equilibrado e sustentável.
Autor: Carmen López

